15 de dez de 2014

Fazendo as pazes com o tempo


Perceba... Medimos o tempo. Perdemos tempo. Matamos o tempo. Não temos tempo.
Num estado de espírito que varia entre o aborrecimento, a agitação e o desespero, as pessoas sempre dizem: “Eu não tenho tempo”!
O ritmo da vida é muito mais frenético do que era uma geração atrás. E tentar acompanhar o ritmo dos dias de hoje é uma tarefa árdua. Esse estresse se manifesta na forma de deficiências imunológicas, pressão alta, ataques cardíacos e derrames, insônia e problemas digestivos. O estresse diminui nossa capacidade de pensar claramente e de tomar decisões competentes; o estresse aumenta o mau humor e nos faz trabalhar com displicência. E como resultado, temos mais problemas no dia a dia: discussões no trabalho e em casa, acidentes de trânsito por dirigir em alta velocidade tagarelando ao celular, além de desgastar o corpo antes da hora. O estresse, quando se prolonga por muito tempo, pode até mudar a configuração do cérebro, nos deixando mais vulneráveis à ansiedade e à depressão, vulneráveis à obesidade e ao abuso de drogas.
O problema para muitos é aprender como se desligar de toda essa agitação para ter um pouco de paz e tranquilidade, mas se cultivarmos a clareza, o desapego e a equanimidade podemos aprender a permanecer atentos ao momento presente e encontrar paz interior.
A prática da meditação e uma vida espiritual dedicada dão ao tempo uma qualidade expansiva infinita, que melhora cada momento da vida.
Então, procure deixar o passado passar, disse Buda, deixe o futuro passar e transcenda as coisas do tempo. Quando existimos apenas no momento presente, apenas naquilo que é, e não no remorso, no medo ou na preocupação com o futuro, o nosso conceito de limitação no tempo não terá mais impacto negativo na nossa vida. Essa é uma sabedoria ancestral, atemporal. As pessoas vêm escrevendo sobre viver no momento presente desde os tempos do faraó Akhenaton, que 1400 anos antes de Cristo escreveu: “Aquele que trata com descaso o momento presente joga fora tudo o que tem”.
Isso é algo que todos nós temos que lembrar todos os dias. Não podemos nos dar ao luxo de esperar para aprender essa lição. Esteja presente neste momento como se fosse o último momento. É assim que meditamos, é assim que levamos a vida centrada e consciente, é assim que permanecemos no agora. E é assim que começamos a fazer as pazes com o tempo e com nós mesmos.
No Tempo do Buda, não existem devaneios mesquinhos sobre o mundo construído pela mente. É um lugar de ser e não de fazer, uma dimensão muito maior do que a grande parte das pessoas habita.
Quando você aprender a viver no Tempo do Buda, adotando aquilo que chamo de consciência do agora na sua vida diária, você será mais presente e comprometido nas suas interações, você será mais capaz de lidar com os momentos difíceis, percebendo quando é a hora de se afirmar ou de se recolher. Acima de tudo, você reconhecerá que cada um de nós tem o seu ritmo e a sua maneira de desabrochar. Você se sentirá tranquilo com a sua capacidade para descobrir a felicidade e contentamento. A consciência do agora é o segredo para a iluminação e para a autorrealização: o Buda dentro de nós.
A vida no Tempo do Buda não é contrária à vida moderna, mas desenvolve Mente Atenta para viver de forma saudável e feliz.
Seja você budista ou não, essas informações darão a você inspiração e as ferramentas necessárias para diminuir o estresse na sua vida e vai ajuda-lo a encontrar o foco, o contentamento, a criatividade e a sabedoria.
Sempre temos a liberdade de escolher como reagir, o que fazer ou como viver. Sempre temos tempo para respirar e recomeçar revitalizados, despertos e atentos, porque quando nos unimos com a nossa verdadeira natureza – que está além do tempo -, e a entendemos, automaticamente desaceleramos. E quando desaceleramos, o tempo também desacelera e, assim, percebemos que ele se multiplica.
Podemos aprender a fazer as coisas com sensatez e cada uma na sua hora quando estamos sob pressão, desligando a falação da mente, que nos faz sentir que temos que fazer muitas coisas de uma vez.
Quanto mais nos conscientizamos sobre o que mais nos estressa e sobre os hábitos improdutivos que temos, mais próximos estamos de nos livrar de tudo isso. Ter uma relação habilidosa com o ritmo da vida nesta Terra significa que cada escolha, cada ação e cada suspiro podem ser plenos e inteiros. Podemos estar presentes por completos, vividamente. Esse é o segredo que está à nossa frente; basta abrirmos os olhos.

Qualquer um que siga os princípios da Plena Atenção entrará em harmonia e em equilíbrio com o mundo natural e, aos poucos, perceberá a sua natureza espiritual, natureza que não é fixa no tempo.

por Lama Surya Das

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