29 de out de 2014

A Aversão I


Já dissemos que nuvens carregadas de Ignorância geram a falsa noção de um “eu”; geram a identificação com uma personalidade que foi criada e dada a você pelos outros, ou seja, você se identifica e sofre com o que, na verdade, não é a sua verdadeira natureza; você se identifica com algo que não corresponde a Pessoa Real em você.

Mas, continuando... Quando essas nuvens carregadas de Ignorância surgem, elas se desdobram numa verdadeira cachoeira de pensamentos que podem se diferenciar em Apego, Aversão, Indiferença, Orgulho, Inveja e assim por diante.
Quando você interpreta uma sensação como sendo desagradável, surge a Aversão e você gostaria se possível, de escapar, fugir delas, ou jamais experimentá-la novamente. E quanto maior é o Apego envolvido na história, maior é a Aversão, a raiva ou ódio potencialmente desencadeado ali.
Os pensamentos recorrentes de aversão, cultivados em nossa mente, provocam e estimulam o ódio, a ira, a raiva, a cólera, a fúria e todas as consequências nefastas e destrutivas. A energia da Aversão é, portanto, muito perigosa, extremamente destrutiva e necessita ser transformada e pacificada ou acabará gerando sempre muita dor, sofrimento e, sobretudo, grande arrependimento.
A cauda das guerras, da agressão ou violência, não é a existência da arma em si, mas do cultivo contínuo e incessante dos pensamentos aversivos na mente e coração do ser humano. Todas as guerras são travadas, inúmeras vezes, no coração do homem antes de se materializarem nesse mundo.
O desarmamento, enquanto não acontecer no interior, no universo sutil e imaterial do coração e mente do homem, jamais surtirá qualquer efeito duradouro nesse mundo.
É importante observar que nós atribuímos nossas atitudes e gestos a algo fora de nós, ao inseto, por exemplo, que “não serve para outra coisa senão nos aborrecer”. Então dizemos que o mosquito é irritante, a barata é asquerosa, nojenta, a mosca varejeira, nem se fala, é nojentíssima! E que a função desses animais todos nesse mundo é simplesmente morrer em nossas mãos, ou melhor, nas mãos dos aversivos puros. Isto é a nossa energia interna de aversão. O animal, tanto faz qual seja, é só um espelho onde se projeta e se reflete a nossa própria energia. É assim com a aversão e com todas as energias que soltamos nesse mundo.
A aversão é uma energia poderosa dentro de nós. Precisamos tomar consciência dela e aprender a lidar com ela favoravelmente.
Se somos agressivos, se temos uma fala e ações agressivas, movimentamos e despertamos essa mesma energia nas outras pessoas também.
Assim, por causa desse obscurecimento em nossa mente, este mundo está cheio de violência, agressão, guerras, exércitos, soldados, policiais, vigilantes, guardas, sentinelas... Todos em estado de alerta, prontos para entrar em combate.
Enquanto cada ser humano não puder transformar a sua aversão na sabedoria associada, infelizmente não poderemos sonhar com a paz ou vê-la amadurecer e florescer neste mundo. E, sem paz, nada é possível.

Para transformar a nossa Aversão na sua sabedoria, fazemos a reflexão inicial acerca da desvantagem em se dar vazão a raiva, ao ódio, a ira que estivermos experimentando. Quando escolhemos agir motivados por essas emoções certamente não obteremos resultados positivos, pois elas “cegam” uma das nossas melhores qualidades como seres humanos: a nossa racionalidade. Agindo com Aversão, não vemos claramente as consequências dos nossos atos, e isto pode representar grande arrependimento, dor e sofrimento. A Aversão é uma energia imprevisível e extremamente perigosa, destrutiva. Se ela não for amenizada enquanto ainda for controlável, sua explosão pode causar muito sofrimento.
Agir com Aversão, seja através do corpo, da fala ou mesmo dos pensamentos, é a causa de incomensurável dor, sofrimento e arrependimento. Mesmo apenas pensar o mal de outros ou cultivar pensamentos muito negativos, acionará a causa da falta de paz na mente, ou de se experimentar estados mentais negativos, de constante lamentação e tristeza.

Aquele que comete o mal se lembra disso por toda a vida. Aquele que faz o bem, idem. Por isso, refletimos sobre a grande vantagem e resultado mais adequado de não agirmos motivados pela nossa Aversão. Estaremos, assim, sempre conscientes das consequências dos nossos atos.

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