7 de abr de 2015

Esforço Correto / atenção e Foco


Procure relaxar seus olhos... Relaxe seus ombros, seus braços, suas costas, seu quadril e suas pernas... Solte bem os seus pés...
Observe seus pensamentos...

Não é verdade que sua mente contém um emaranhado de ansiedades, arrependimentos sobre o passado, e planos para o futuro? Não parece às vezes que nossas mentes estão repletas de sentimentos conflitantes, pensamentos e fantasias? A cada segunda, a cada dia, a mente e os sentidos são inundados de estímulos externos – somos inundados por sons, cheiros, visões. Tanta coisa acontecendo – tanta informação irrelevante que entra e sai da mente que às vezes parece impossível “enxergar direito”, parece impossível ver com clareza.
A mente é capaz de muita coisa: ela criou todas as maravilhas e todos os horrores do mundo moderno. A forma como usamos o dom da consciência faz toda a diferença. Frequentemente somos dominados pela tirania (violência) de nossos pensamentos, e somos controlados por nossas mentes mecânicas e rodeados pelo eco vazio de nossas bocas. Nossa imaginação inquieta e nossos incessantes apegos, ansiedades, incertezas e preocupações correm furiosas, não nos permitindo um único instante de paz.
Nestes momentos, é bom fazer uma avaliação, renovando a busca do nosso comovente coração por felicidade e realização, para que possamos recomeçar nossa jornada renovados, em busca daquilo que realmente importa na vida e ficar com ele. O que realmente nos importa¿. Como aprender a amar e viver melhor? Como construir uma vida, não apenas sobreviver. Como transformar a vida em alguma coisa pela qual vale a pena viver. Como encontrar a nós mesmos – nossos verdadeiros “eus” – não apenas nossa persona ou imagem. Como utilizar nossos talentos especiais e os dons que temos?
Se queremos aprofundar e simplificar nossas vidas, temos que aprofundar e simplificar nossas mentes. Quando nos tornamos mais centrados, lúcidos, amorosos e abertos, percebemos de repente que existe muito espaço em nossas vidas frenéticas, tanto para nós quanto para os outros.
No Dhammapada, o Buda disse: “A mente é inquieta, instável, difícil de vigiar e de controlar. O homem sábio a torna reta, como um arqueiro retifica uma flecha. A mente é inconstante, muda de lugar com facilidade, e por isso, difícil de conduzir, e vai para onde quer. É bom domesticar e dominar a mente, porque uma mente disciplinada traz felicidade”.
A meditação exige muito pouco. Tudo o que é preciso fazer é parar o que se esteja fazendo, e simplesmente estar ali. É preciso estar presente para ganhar o prêmio! Então, apresente-se! Depois que a pessoa se acostuma a meditar, pode meditar em pé, andando, deitada ou até mesmo arrumando flores. O Buda disse uma vez que existe quatro posições para a meditação: de pé, sentado, andando e deitado. Em outras palavras, o tempo todo.
No início a meditação é uma questão de focalizar e acalmar a mente. Mais tarde vem a percepção profunda. Por muitos séculos os meditadores foram ensinados a usar a respiração como uma ferramenta. Eu aprendi, e agora ensino aos outros, a começar inspirando pelo nariz, concentrando-se na sensação do ar entrando pelas narinas; a seguir expirar pelas narinas – novamente concentrando-se no ar que sai pelas narinas. Simplesmente observe a respiração e não pense em mais nada. O que quer que aconteça – pessoas se movendo, mosquitos voando, rádios tocando, não preste atenção. Se você tiver uma sensação física, câimbra no pé, vontade de coçar as costas -, tente deixar a sensação ir embora e volte a focalizar a respiração para dar à mente um suave empurrão de volta e continue com a atenção na respiração.
Parece simples, mas quando tentamos fazer isso, começamos a notar como nossas mentes são incontroláveis e como é difícil manter o foco em uma única coisa. Os adultos compreendem que as crianças têm períodos de atenção muito curtos. Os mestres de meditação também entendem que os adultos comuns têm o mesmo problema de concentração. Entretanto, com esforço, atenção e concentração, a meditação funciona até mesmo na mente mais teimosa. E quais são os conteúdos da meditação? Você, sua vida, seu mundo. Não é preciso ir ao Tibete ou ao Nepal para encontrar algo sobre o que meditar.

Como escreveu o mestre zen Dogen:
Estudar o caminho do Buda é aprender sobre si mesmo.
Aprender sobre si mesmo é esquecer-se de si mesmo.
Esquecer-se de si mesmo é tornar-se iluminado por todas as coisas.
Ser iluminado por todas as coisas do universo é libertar-se do corpo e da mente, de Si Mesmo e dos outros, nesse exato momento”.

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