4 de fev de 2015

Desejo: O grande obstáculo a Ação Correta


Desejo: O grande obstáculo à Ação Correta

O desejo, ou cobiça, necessidade, anseio, não importa como seja chamado, é um dos cinco obstáculos, ou desafios, que o Buda avisou aos buscadores que enfrentariam no caminho para o despertar. Quando o Darma (ensinamentos espirituais) de Buda fala sobre desejo, ele quer dizer fome e sede psicológicas, desejo não saudável, anseio, apego ou fixação psicológica.
Quem dentre nós está tão realizado e contente que esteja acima deste tipo de desejo? Não há nada faltando em sua vida agora? Quando tentamos refinar e purificar nossas ações, precisamos estar conscientes das muitas formas pelas quais nossos desejos criam armadilhas no caminho espiritual.
Diz-se que a visão de um ladrão é tão distorcida que, até quando encontra um santo, tudo o que ele enxerga é a bolsa do santo. Pergunte a si mesmo: existe alguma coisa ou alguém que você deseja tanto que chega a prejudicar seu julgamento e sua visão? O que você deseja? Existe alguma coisa capaz de gerar em você sentimentos tão intensos, que a tentativa de sua obtenção se torna um substituto para o desenvolvimento espiritual? Já foi dito muitas vezes que todos têm seu preço; Qual é o seu?
Enfrentar o desafio do desejo é uma experiência que nos confunde. Às vezes é tentador olhar para um obstáculo qualquer e racionalizá-lo, dizendo que não é exatamente desejo o que sentimos, mas na verdade é outra coisa. Por exemplo:

Você não acredita que “cobiça” dinheiro e sucesso; você acha que só está tentando ganhar a vida para a família. Entretanto, quando você está vendendo alguma coisa, perde completamente a noção de humanidade da outra pessoa à sua frente, e também do certo e errado. Só consegue pensar em fechar o negócio, que é uma forma de vender e afirmar a seu domínio e superioridade. O dinheiro significa mais para você do que a sobrevivência. É a sua forma de se afirmar.

O processo de purificação dos desejos e apegos é complexo e sutil. Algumas vezes queremos tanto uma coisa que achamos impossível desistir dela. Agarrados a nossos objetos de desejo, somos arrastados e perdemos completamente a perspectiva. Nossa mão agarra com tanta força, que a mente fica com o equivalente a queimaduras de corda nas mãos, de tanto se agarrar, quando na verdade o assunto, em momento nenhum, foi questão de vida e morte.
Desejo provoca mais desejo. Muitos de nós vivemos sempre “querendo” alguma coisa; estamos convencidos de que assim encontraremos a felicidade. Entretanto, o incessante passar de um objeto de desejo para outro só perpetua padrões de dependência e de insatisfação em nossas vidas. Pode ser um relacionamento melhor, sexo melhor, um emprego melhor, roupas melhores, uma casa melhor, um carro melhor, ou um estado de espírito melhor – não importa, o desejo consome a vida das pessoas. E da mesma forma que beber água salgada não mata a sede, satisfazer desejos momentâneos não resolve – pelo menos não por muito tempo.
No caminho espiritual, temos que estar preparados para lutar com desejos compulsivos diversas vezes. Observe aquilo que deseja, o que o atrai ou repele mais. Verifique quais os botões que são mais apertados por estímulos externos, e como você reage a cada um deles. Todos nós investimos intensidade emocional e energia na avidez, na conquista, na acumulação e no apego. Como isso acontece? O que você ganha com isso? Reúna os suspeitos habituais e olhe para eles – amor, gratificação do ego, sexo, prazeres sensuais, dinheiro, posses, fama, segurança, poder.
Quando o Buda deu o Sermão do Fogo para mil discípulos em Gaya, disse a eles: “Tudo está queimando... Queimando com o fogo da cobiça, do ódio, da ilusão”. Não deseje nada, e você estará liberado. O terceiro patriarca Zen cantou: “O caminho não é difícil para aqueles que não têm preferências”.


A mensagem que fica desse ensinamento é que quando você faz escolhas nas quais vai basear suas ações, observe para ver o que o está motivando. A ausência de desejos é a paz do Nirvana – um estado de plenitude e paz interior, sem se deixar afetar por influências externas. Abandonar os apegos e as coisas às quais estamos agarrados acaba valendo a pena. Então, deixe fluir...

por Lama Surya Das

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