17 de jul de 2014

As Quatro Nobres Verdades II


A vida é difícil e a dificuldade existe por causa do apego. Esta é a natureza da vida e a primeira Nobre Verdade - que todos vamos experimentar altos e baixos na vida, não importa quem sejamos.
A segunda Nobre Verdade nos diz que existe uma causa para as dificuldades da vida, e que esta causa é o desejo – uma sede incessante e interminável que não cessa.
Como todos nós desejamos consistentemente, sentindo fome e sede por um sem número de experiências, continuamos a sofrer. Não é que devêssemos nos livrar das coisas que desejamos. Os objetos do desejo não são o problema. É o nosso apego e a nossa identificação com o que desejamos que causam sofrimento.
O ensinamento nos mostra que podemos aprender a amar, podemos cultivar a bondade amorosa, a empatia e a consideração, mas sem tentar possuir uns aos outros; nem deveríamos nos tornar tão identificados ou apegados a qualquer coisa (pessoa, pensamento, sentimento, carreira, meta ou objeto material) porque perderíamos de vista a realidade – a relatividade e a natureza impermanente de tudo o que existe.
Para compreender esse ponto, para entender por que a sede insaciável e o apego ao desejo causam os problemas de nossa vida, é preciso estar certo o bastante sobre como funcionam o Apego e o Desejo.
Você com certeza já ouviu alguém dizer: “Eu faria qualquer coisa para ter isso ou aquilo”, “Eu o queria tanto que perdi a cabeça”. Perceba... O desejo intenso assume o controle de nossa mente e de nossa vida. Ele assume o controle total.
Quantas horas do seu dia você gasta em uma atividade monótona, tentando obter o que pensa que necessita? Quanto de sua mente e de seu tempo são utilizados para fantasiar sobre as coisas que deseja? É muito fácil passar muitas horas da vida obcecados com romance, carreira, dinheiro, amor não correspondido ou turbulento, passatempos, sexo ou prazer. Como uma nuvem escura, o desejo encobre a natureza espiritual, radiante e livre.
Em nossa cultura, quem pode resistir à insensata cobiça por prazeres sensuais, por riqueza ou poder? Existem tantos anúncios, tantos shoppings centers, tantos cartazes disputando nossa atenção. Você às vezes não se sente agredido pela quantidade de “próximas atrações” chamando a sua atenção? Todos os dias chegam catálogos pelo correio eletrônico. Como podemos olhar para eles sem imediatamente desejar os celulares, tablets, televisões gigantescas, os perfeitos casacos de inverno usados por modelos igualmente perfeitos e até mesmo os próprios modelos¿ O que podemos fazer com nossos desejos em um mundo onde somos encorajados a viver vidas de fantasia, nas quais estamos sempre investindo em um futuro incerto, esperando e desejando ser arrebatados e salvos por um salvador montado num cavalo branco?
Existe um antídoto – de uma única palavra – para este tipo de ânsia ou desejo: sabedoria. A sabedoria de estar livre dos desejos.
Os ensinamentos secretos do Tibete nos dizem que podemos redescobrir a nossa sabedoria inata, nossa percepção e a alegria interior, através de práticas espirituais, inclusive meditação, auto questionamento e o cultivo de nosso coração, que é naturalmente caloroso, sensível e amoroso. Sabedoria é a forma de transcender o desejo e transformar uma vida monótona em um adorável e inspirador passeio pelo jardim. Esta é a verdadeira liberdade.

Em uma passagem Buda disse: “Aquele que neste mundo vence os desejos, tão difíceis de transcender, perceberá que o sofrimento flui como as gotas de água que caem de uma flor”.

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