18 de jun de 2014

Desconstruindo a casa que o ego construiu II


O Darma da Realização
Relaxe seus olhos e observe a sua respiração. É assim que, lentamente, suavemente, você traz a consciência para o momento presente – e, muitas vezes, se vê livre de pensamentos indesejados – começa, então, a acalmar e purificar a mente...

Assim eu ouvi...
Tão importante quanto as palavras é a forma pela qual realizamos estes ensinamentos em nós mesmos.
Tudo o que acontece na vida é parte de nosso caminho. Assim, cada momento é uma oportunidade para despertar; cada experiência que temos pode ser assimilada à nossa vida espiritual.
O desenvolvimento da sabedoria, da clareza, da sanidade mental e da compaixão em sua vida expressam o caminho da realização. Este é o seu trabalho diário; é assim que você torna sua vida sagrada.
Viver esse Darma, esse ensinamento, continua a ser um desafio para todos os buscadores espirituais de hoje. Como equilibrar a vida interior e a exterior; como pegar nossas melhores intenções e direcioná-las para os outros; como manter nosso compromisso em tempo integral, dentro de um contexto desse mundo complicado; como equilibrar compaixão e sabedoria; como saber a diferença entre amor e apego, entre cuidado e medo.
A maioria de nós tem dificuldade de trazer esse Darma – esse ensinamento – para nossas vidas, colocando-o em tudo o que fazemos. Mas é uma coisa perfeitamente possível.
Saímos de uma prática de Yoga ou meditação, particularmente enriquecedora, convencidos de que fomos transformados para sempre. Muitas vezes dizemos ou simplesmente pensamos: “Que aula boa; estou bem tranquilo; gostaria de permanecer aqui por mais tempo; ganhei o dia; vou levar essa sensação comigo para onde eu for”...
Mas, a seguir, em poucas horas estamos novamente inconscientemente envolvidos em alguma reação habitual e profundamente insatisfatória e, de repente, nada mais lhe parece fantástico. Nem sequer suportável. Tudo lhe parece frenético, negativo, competitivo e perturbador.
O que devemos entender é que tudo isso faz parte do processo. O que você obteve durante a prática foi uma percepção mais profunda de como você está perdendo contato com sua própria realidade interior.
A partir dessa percepção, você precisa trabalhar, para mudar a si mesmo aos poucos, até que sua percepção se aprofunde mais.
O problema com suas prioridades, sua impaciência com os filhos ou a tendência a formar apegos excessivos, são tudo parte de seu caminho. Sua tarefa é trazer a sabedoria do Darma (ensinamento) para a sua vida, para ajuda-lo a lidar com todas essas questões.
Misturar o Darma com sua vida significa tentar fazer escolhas e tomar decisões que sejam iluminadas, e que surjam da intenção de despertar dos sonhos ilusórios.
O Darma de nossa realização interna é onde encontramos refúgio interior – refúgio para aprender a verdade, expressar a verdade e integrar essa verdade ao seu ser.
A meditação diária é a forma mais simples de permanecer no caminho essencial do despertar. Isto é feito quando se presta atenção, quando se pratica a atenção plena em vez da completa desatenção, quando se cultiva conscientemente a presença da mente em vez da distração total.
Em uma passagem Buda disse: “Seja como uma lâmpada em si mesmo. Seja um refúgio em si mesmo. Mantenha o Darma como uma lâmpada. Mantenha o Darma como um refúgio. Não procure refúgio fora de si. Aqueles que forem um refúgio em si mesmo... serão estes, entre os buscadores, que chegarão ao ponto mais alto do caminho”.
Seguir um caminho equilibrado e moderado, que seja honesto e impecável, é viver o Darma. Aprender a viver sem confusão, raiva, apegos ou ganância excessivas – isto é o Darma. A sanidade básica é estar sintonizado com as coisas como elas são. Seguir um caminho de Darma significa tornar a vida espiritual uma prioridade e desenvolver um coração caloroso e amoroso, (um coração) que tem o sentido da empatia e amizade. Isto inclui desenvolver integridade e caráter, e não apenas buscar breves experiências místicas ou elevadas.

A verdade tem a ver com ficar livre, e não ficar nas alturas...

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