30 de jun de 2014

As Quatro Nobres Verdades I


Uma mensagem clara e simples...
É da natureza da vida que todos os seres experimentem dificuldades, mas através de uma vida esclarecida pode-se finalmente transcender estas dificuldades e chegar à realização, à libertação das condições que fazem a vida infeliz, e ser livre.
A vida é difícil; e a vida é difícil por causa do apego; mas a possibilidade da libertação das dificuldades existe para qualquer pessoa; e o meio de obter esta libertação, e também o despertar da consciência, é levar uma vida compassiva, cheia de virtude, sabedoria e meditação.

A mensagem básica do Buda (Darma) é justamente que existe uma possibilidade real de um renascimento espiritual e do final do sofrimento.

O Darma não ensina que tudo é sofrimento. Ele diz que a vida, por natureza, é difícil, cheia de problemas e imperfeita. Quem entre nós tem uma vida perfeita? É claro que todos nós gostaríamos de viver uma vida maravilhosa o tempo todo. Mas não vai acontecer. Esta é a natureza da vida e é a primeira Nobre Verdade - que todos vamos experimentar altos e baixos na vida, não importa quem sejamos. É parte do passeio na montanha russa.
Para a maioria de nós, o grande desafio é o apego aos valores materiais. Colocar esses valores em perspectiva é uma parte essencial de seu caminho para a liberdade.
Olhe profundamente e veja através dos véus da ilusão, reconheça quem e o que você realmente é, e descubra a verdade das coisas como elas realmente são.
Perceba... Não é possível conseguir sempre o que se quer, e isto faz a maioria das pessoas infeliz pelo menos uma parte da vida. Como você nasceu, mais cedo ou mais tarde vai experimentar dor física ou emocional. Nascimento, envelhecimento, doença, desgostos e desapontamentos são coisas que acontecem a todos nós. E nem tudo isto é ruim. Podemos aprender muito com as dificuldades, grandes e pequenas, por que passamos. Os problemas cotidianos nos ensinam a ter uma atitude realista. Eles nos ensinam que a vida é o que é: imperfeita, mas com um enorme potencial para a alegria e satisfação.
Em uma passagem, Buda diz que estamos todos no fogo das paixões descontroladas, que consomem e dominam as nossas vidas. Por causa destas paixões, somos como crianças cujas casas estão queimando. Não temos a maturidade ou o domínio de nós mesmos para reconhecer a gravidade de nossa situação e rapidamente apagar o fogo. Precisamos crescer e aprender como ser adultos maduros e liberados, que compreendem a natureza da realidade – os casos de amor não vêm com garantias, e todos nós temos que ir ao dentista. Todas as coisas na vida ou funcionam mal, ou não são confiáveis, ou são de pouca importância.
A maturidade traz a compreensão, o discernimento, a responsabilidade, a moderação, o caráter e o equilíbrio.

Minha estação favorita do ano é o outono; minha hora do dia favorita é o pôr do sol. Estes são lindos momentos, porém passageiros. E isto é verdadeiro em relação a quase todos os mais belos momentos de nossa vida. É claro que existem momentos em que somos envolvidos pela alegria suprema de estar vivos.
Pense em sua vida... Talvez na noite de ontem você tenha ouvido uma linda peça musical; talvez tenha tido uma excelente conversa com seus amigos enquanto compartilhava uma deliciosa refeição, talvez tenha sido promovido no trabalho. Estes são momentos de verdadeira felicidade.
A dificuldade que todos nós enfrentamos, é que estes momentos não duram: a música termina, seus amigos se divorciam, o novo emprego que você queria tanto vira uma máquina de produzir dor de cabeça e os momentos de amor e de êxtase são esparsos e rápidos – nada que é bom dura para sempre.
Quando paramos e olhamos para o nosso interior – quando nos perguntamos quem e o que somos, e o que está acontecendo; quando nos perguntamos quem está vivendo a nossa vida – o que encontramos? Quem sou eu? O que sou eu? Onde está aquele que experimenta? Está em minha cabeça? Em meu cérebro? Em meu coração? Minhas pernas? Meu corpo¿?Minha mente? O que encontramos? O que somos, uma realidade?
Somos algo que está sempre em mutação – um aglomerado composto de forma, sentimentos, percepções, intenção e consciência -, e não os indivíduos eternos e com existência independente que presumimos ser.
Nossos corpos têm uma vida útil limitada, são impermanentes e mutáveis. Isto não é um dogma religioso, é apenas a forma como as coisas são. Sendo efêmeros, nossos corpos terminam sendo pouco satisfatórios.
Nossos sentimentos certamente são efêmeros, e também nossas percepções. O mesmo se aplica às nossas intenções. Os estados de consciência mudam o tempo todo. Na verdade, nós somos uma obra em andamento. Quer gostamos disso ou não, nunca permanecemos iguais.

Os ocidentais usam a palavra “mente” como uma definição básica do eu. “Penso, logo existo”. Mas você não é o que pensa; como o clima, aquilo que se pensa é imprevisível e sujeito a mudanças. Devido a esse fato, a mente não treinada também é essencialmente não confiável – pensamentos e sentimentos não têm durabilidade. Além do mais, se eu penso - logo existo, o que e quem é você, quando não está pensando, naquele breve instante entre dois pensamentos? Será que cessamos de existir intermitentemente?

Por outro lado, a nossa natureza búdica (desperta) inata – que não pode ser descrita em palavras e que provoca grande prazer e contentamento, não é impermanente, não muda. É perfeita, inerentemente sábia, calorosa, livre e completa. Realizar este núcleo luminoso é aquilo que chamamos de Despertar (Iluminação).

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